A criança pobre, que vive no suburbio, filha e pais separados, e que fica a cada dia em casa diferente: um dia na avó, um dia na casa da tia, outro em qualquer lugar. Ela não é pobre apenas de recursos financeiros, mas principalmente de atenção, carinho e compreensão. É uma criança, as vezes rebeldes, outras vezes acanhada. Muitas vezes insegura e assustada. Quando ela vai pra escola, talvez espere encontrar lá, um mundo melhor, onde se sinta mais segura. Mas o que acontece? A coitada da professora, muitas vezes sem formação adequada para exercer o cargo que ecupa e sem os recursos didáticos pedagógicos necessários para desempenhar bem o seu trabalho, não tem condições de oferecer à criança, o mínimo necessário para que ela veja a escola como um lugar confiável. E pra complicar mais, quando chega em casa que os adultos "bem intencionados" vão lhe ensinar a tarefa caseira, começam a chamá-la de burra porque, com sete anos ainda não conhece o alfabeto.
Hoje eu vi uma dessas crianças. Fiquei bastante preocupada com a reação dela, quando lhe pedi que me mostrasse o caderno. Sua reação foi de pânico. Ficou desesperada quanda tentei pegar em sua mochila. Por que será? Fico imaginando o que terá acontecido na escola quando a "querida professora" pediu pra ver sua tarefa do dia anterior. Se é que pediu.
É um desastre o que estão fazendo da educação infantil em nosso município. É criminosa, a forma como são tratadas nossas crianças, nas nossas escolas públicas municipais. As queridas professoras, coitadas, analfabetizadas e tranformadas de empregadas domésticas a professoras de educação infantl. Apenas pelo mérito politiqueiro. Quando as pedagogas e especialistas em educação, muitas vezes até aprovadas em concursos, estão fora da sala de aula. E até mesmo da escola. É lamentável. Sinto muito "querida professora", pela criança, por você, pelo futuro do nosso município e principalmente por eu, no momento, não poder transformar esta realidade.
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segunda-feira, 28 de junho de 2010
domingo, 27 de julho de 2008
Meu Sertão
A educação de um povo é o principal fator para o seu desenvolvimento social e econômico. Hoje quase todas as pessoas sensatas acreditam nisso. Até as que são literalmente analfabetas reconhecem o valor da educação escolar. Mas o que me deixa verdadeiramente indignada é o fato de que, os responsáveis direto pelas políticas públicas educacionais em nosso município, não sabem ou não querem conhecer o real valor da educação para os cidadãos. Ou se sabem, estão fazendo o povo de trouxa. Enganando as crianças e seus familiares, construindo escolas de faixada, que não ofercem as menores condições de aprendizado. Eu tenho muita pena das crianças deste município, vítimas da negligência e da irresponsabilidade política educacional reinante entre os gestores direto da educação local. Também tenho vergonha do nível intelectual da maioria dos educadores que atuam nas escolas no momento atual. O pior é que não se pode fazer nada para alterar o quadro deplorável dessa realidade. Pois todas as decisões giram em torno dos interesses políticos de alguns indivíviduos que se utilizam do poder para manipular tudo em benefício próprio. E perseguir qualquer pessoa que resolva interferir, até mesmo aos representantes legais da categoria profissional do magistério. Deixando os reais interesses sociais e educacionais relegados e marginalizados. É realmente lamentável, que uma cidade com meio século de existência ainda não tenha consiguido o mínimo necessário ao desenvolvimento dos seus cidadãos, que é uma boa qualidade na educação. Pois a última pesquisa divulgada sobre avaliação do nível de escolarização, em todos os municípios do estado do Ceará, Senador Sá ficou em último lugar. Não é mesmo uma vergonha? Vamos lá, cidadãos senadosaenses, vê se acordam enquanto é tempo. Vamos lá, "ensinadores", vê se aprendem um pouco do que ensinam. E assumem uma postura mais dígna da função de exercem. Se alertem, as crianças ainda esperam por nós. Seus familiares ainda confiam na gente. E nós, será que ainda acreditamos que basta ser professor? Ou será que já é tempo de aprender a ser educador? E enquanto isso, resta apenas lamentar, coitado do povo do meu lugar!!! Tão forte e tão lutador, o povo do meu interior. Que mesmo na exploração, sem escola e educação, continua batalhando pela vida, embaixo do escaldante sol do meu sertão.
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